
Amantes sem tempo
e sem lugar
no espaço separados
submersos em sílabas
soltas pelo vento
inconfessável paixão de palavras
ao sabor das marés e do sal
e da distância
sabiamente encurtada.
Há um oceano entre nós
um mar
que afinal
sendo imenso
nos aproxima.
Embarcados de tão longínquos portos
tão próximos e distantes…
De percorridas as letras
com que se constrói o caminho
entoadas em uníssono
desfrutamos das pontes em que ambos nos embalamos
de desejo
dispersos, perdidos…
achados no horizonte destas palavras
e de outras…
De rosto encoberto sorriso velado
voz de imperceptíveis sussurros trazidos pelo vento
murmúrio das mãos cálidas à volta da cintura…
Nesta poesia como lugar habitado pelos corações dos amantes
preenchendo noites de lua muito vaga
teço-te fios de ternura em volta do pescoço esguio que não sei…
De alma plena
numa vespertina vontade
de te entreolhar lá
onde habitas o sonho…
Construo este passadiço
qual ponte himalaia
suspensa e frágil
robusta e ondulante
que se atravessa de alma
detendo-se no limiar do corpo
num devir já presente…
De tão disperso e longínquo
sonho acordado
sendo já o que ainda não o é…

