
Colhi-te no fim de uma tarde de Outono
Perdido num campo de girassóis lá no fundo
No sul do Alentejo
Junto à costa
Onde a espuma do mar me enche de névoa
Afastando de mim o sobressalto
Dos dias sombrios…
Esculpo-te na rocha
As tuas feições
Sentado na areia
(movediça, outrora)
Invento-te um rosto
Serenamente
Com as palmas das minhas mãos
Vazias
Na penumbra dos meus dedos
Teço e desfaço o que a natureza em bruto erigiu…
Moldo-te com esta brisa de entardecer
No silêncio das águas
No porvir da noite serena e tranquila
Em que navegarei…
Construo o teu rosto esculpindo na pedra
Da minha essência
Desfazendo em ternura
Com as mãos já calejadas
Vazias
E plenas…
O que te ofereço, genuíno
Sou apenas eu
O amor tranquilo
A paixão absurda
Os dias claros
E as noites…
E admiro-te assim nessa quietude incerta
Nas páginas escrita
Esculpida no rochedo
Coberta pela espuma das águas
Dos dias
De mim…
