14 maio 2008

Ao partir




Vou-me, pois faz-se tarde…
Vou-me com a esperança
E as manhãs que
Os espaços habitam
Na ternura deste momento…
Vou-me sem a glória,
Mas com estes dedos
E os ocasos
Onde tudo tomou sentido
E saudade…
Vou-me em espera,
Mas de pé..


(Laura Isabel in “Para Lá do Rosto, Poemas”, Metanoia - Porto, Maio 1983)


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30 abril 2008

Ainda...



Cresce na boca a saliva
De dias outros antigos
Dispersos.

Como lágrimas escorriam abundantes e claros
Sem que o soubéssemos.

Eram os lábios o que buscávamos
Os beijos que não chegaram a acontecer
E brincávamos pendurados nas palavras vãs
Que nada diziam ou
Apenas tudo queriam dizer…

Mas não! E sempre assim…
As mãos que demoravam na corrida
E nós, seres pacientes
Aguardávamos o momento que nunca deixávamos acontecer.

Falo de um passado porque agora apenas restam as fontes
De onde antes brotavam as tais lágrimas ou dias
Em que nos acocorávamos
E falávamos de tudo menos de nós.
Ou sempre de nós?!

Apenas os lugares onde os gestos deveriam ter acontecido
E as palavras ditas.

Tudo tem um tempo
E nós contra ele habitámos os lugares
Ou o atraiçoámos?!

Não sei a resposta…
Tu sabes?

(Descansa em paz, Laura!)

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29 abril 2008

Palavras mortas


" O que importa é escutar o silêncio das palavras por dizer "




Morrem as palavras
Ficam as nebulosas e as inúmeras estrelas no céu.
(Não mais se apagam da memória).

Lá no alto as galáxias
Evoluem e se expandem para longe do meu horizonte.

De olhar no firmamento
Apesar do "Caminho de Santiago"
Sinto o desfalecimento em mim
Perante a imensidão daquilo a que me atenho.

Trago comigo o (des)amor e a angústia.
Fica a contemplação
E a esperança
De um momento vivido
Apenas…


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20 abril 2008

O Rochedo



Colhi-te no fim de uma tarde de Outono
Perdido num campo de girassóis lá no fundo
No sul do Alentejo
Junto à costa
Onde a espuma do mar me enche de névoa
Afastando de mim o sobressalto
Dos dias sombrios…

Esculpo-te na rocha
As tuas feições
Sentado na areia
(movediça, outrora)
Invento-te um rosto
Serenamente
Com as palmas das minhas mãos
Vazias
Na penumbra dos meus dedos
Teço e desfaço o que a natureza em bruto erigiu…

Moldo-te com esta brisa de entardecer
No silêncio das águas
No porvir da noite serena e tranquila
Em que navegarei…

Construo o teu rosto esculpindo na pedra
Da minha essência
Desfazendo em ternura
Com as mãos já calejadas
Vazias
E plenas…

O que te ofereço, genuíno
Sou apenas eu
O amor tranquilo
A paixão absurda
Os dias claros
E as noites…

E admiro-te assim nessa quietude incerta
Nas páginas escrita
Esculpida no rochedo
Coberta pela espuma das águas
Dos dias
De mim…



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