03 novembro 2011

Casablanca de passagem



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Não sendo o percurso mais rápido — indubitavelmente muito mais bonito e aprazível —, partir de Essaouira pela estrada da costa, a R301, rumo a Casablanca, tendo como horizonte o Atlântico e atravessando pequenas ou médias vilas ou cidades piscatórias, como Safi, Cabo Beddouza, Oualidia ou El-Jadida, é o nosso propósito. Esta última, merecendo uma visita mais demorada — até porque os apetites se revelam vorazes e o mar nos inspira —, oportunidade para a revermos e apreciarmos a sua elegante marginal marítima, tipicamente sul marroquina. Apenas a pouco mais de uma quarentena de quilómetros até à grande metrópole, eis-nos chegados aos limítrofes, investindo para o centro da cidade num caos de trânsito — olhem só que novidade! —, de fumos e de uma espécie de névoa sem melancolia, outrossim de carácter definitivamente sombrio e pouco saudável: o smog que se desprende do chão e que teimosamente permanece contundente por cima da cidade. Nada de surpreendente, avaliadas as proporções e a dimensão demográfica de Casablanca. Grande sem ser grandiosa, pouco tem de especialmente atractivo para quem regressa do sul e do interior deste majestoso Reino. Serve para repousar, dar uma volta nocturna de petit táxi até ao Boulevard de La Corniche, e, percorrendo-o a pé, apreciar alguns vícios e modas ocidentalizadas — com algum charme, sim, mas... — sem grande alma. Em minha opinião.

Ad-Dhar-al-Bayda é a maior cidade de Marrocos, na costa atlântica do país, e uma das maiores do Norte de África com cerca de 5,5 milhões de habitantes. Na verdade, Casablanca é uma cidade portuária e industrial (o maior porto e o maior centro industrial e comercial de Marrocos) cujo nome tem sentido literal: a primeira casa construída — depois do terramoto de 1755 que destruiu completamente a antiga cidade berbere de Anfa — era branca, servindo como ponto de referência aos viajantes que cruzavam o país e aos navios que se aproximavam da costa. Os árabes traduziram a expressão para Dhar-al-Bayda, mas os mercadores espanhóis, vindos um século depois, oficializaram o nome actual e mantiveram a característica básica da arquitectura da cidade: as casas são todas brancas. Na generalidade, os edifícios constituem uma versão francesa da arquitectura árabe-andaluza, brancos com linhas simples.

A cidade habita o imaginário universal ganhando fama com o filme homónimo, realizado em 1942 por Michael Curtiz, quando serviu de cenário ao romance entre Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, durante a Segunda Guerra Mundial, se bem que nenhuma cena do filme tivesse sido realizada em Casablanca, antes nos Estúdios de Hollywood.

Durante o século XIV, sob os Merínidas, a cidade aumentou em importância como porto e, no início do século XV, tornou-se novamente independente. Surgiu como um porto seguro para os piratas, o que conduziu a ataques por parte dos portugueses que a nomearam Anafé e que a destruíram em 1468. Usaram as ruínas para construir uma fortaleza militar em 1515 tendo definitivamente abandonado a zona em 1755, na sequência do grande sismo que a destruiu.

No século XIX Casablanca tornou-se um dos principais fornecedores de lã para a indústria têxtil, então em expansão na Grã-Bretanha, beneficiando do aumento de tráfego. Por volta de 1860 tinha cerca de 5.000 habitantes. A população cresceu para cerca de 10.000 no final da década de 1880. Casablanca manteve uma dimensão do porto algo modesta, com a população a atingir cerca de 12.000 poucos anos após a conquista francesa e a chegada de colonos franceses, inicialmente administradores dentro de um sultanato soberano, em 1906. Até 1921 deu-se o grande aumento para 110.000 habitantes, em grande parte através do desenvolvimento de bairros de lata.

Em Junho de 1907 os franceses tentaram construir um caminho-de-ferro ligeiro perto do porto que passava por um cemitério. Os habitantes da cidade atacaram os trabalhadores franceses e seguiram-se violentos tumultos. Chegaram tropas francesas para restaurar a ordem pública e tomaram conta da cidade. Foi o início de um real processo de colonização, embora o controle francês de Casablanca só fosse formalizado em 1910. Casablanca tornou-se o grande centro económico marroquino e possui um dos maiores portos artificiais do mundo, sendo um local importante de negócios e comércio. As principais indústrias são a pesqueira, a vidreira, a de mobiliário, a de materiais de construção e a do tabaco. Marrocos obteve a independência de França a 2 de Março de 1956.

Em 16 de Maio de 2003, poucos dias após a passagem da nossa I Expedição a Marrocos 2003 (16 a 25 de Abril), 33 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas quando a cidade foi atingida por múltiplos ataques suicidas executados por marroquinos.

Um dos ex-líbris de Casablanca, na sua marginal atlântica, entre o Boulevard da La Corniche e o Boulevard des Almohades, junto ao porto, é a Mesquita Hassan II. Sendo o mais alto templo do mundo e o segundo maior, depois da mesquita de Meca, conta com as últimas tecnologias como resistência sísmica, tecto que se abre automaticamente, soalho aquecido e portas eléctricas. É das poucas mesquitas do mundo muçulmano que permite a visita a turistas não muçulmanos. Desenhada pelo arquitecto francês Michel Pinseau, a sua construção iniciou-se a 12 de Julho de 1985, tendo sido inaugurada em 30 de Agosto de 1993. Envolveu cerca de 2500 pessoas e 10.000 artesãos marroquinos trabalhando com mármore, granito, madeira, mosaicos, estuque e outros materiais para elaborar os tectos, pavimentos, colunas, etc. A sua localização junto ao mar deve-se a Hassan II se ter inspirado no versículo do Corão O trono de Deus encontrava-se sobre a água.
 





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Ser Nómada em Marrocos (FotoDiário de Viagem)

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