10 novembro 2011

Assilah e a Muralha da Surpresa



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Depois das fotografias obrigatórias na Mesquita Hassan II, havíamos de sair de Casablanca a meio da manhã, rumo ao sul de Espanha, num total de 462 km, utilizando a auto-estrada A3 a partir de Mohammedia, contornando e evitando Rabat e Kenitra – que o tempo urgia –, entrando na costeira A1 até Larache, para visita rápida e almoço junto ao mar.

Larache (El Araich ou Laraxe) é uma cidade portuária – um dos vértices do triângulo com Tânger e Tétouan, a 30 km de Ksar-el-Kebir (Alcácer Quibir) –, fundada no século VII quando um grupo de soldados muçulmanos da Arábia alargou o seu acampamento em Lixus (importante núcleo romano em ruínas, a 5 km de Larache, não tão impressionantes quanto as de Volubilis) para a margem sul do oued Loukos.

Em 1471, os colonos portugueses de Asilah e Tânger levaram os habitantes de Larache, deixando-a desabitada até que o sultão Mohammed Saadi Ash-Sheikh decidisse repovoá-la e construir uma fortaleza no planalto do rio Loukos, na entrada do porto, controlando o acesso ao rio. No auge do século XV Portugal fez de Larache o maior porto marroquino, construíram a fortaleza da Graciosa em 1489 para controlar a pirataria. O kasbah, que foi construído em 1491 por Moulay en Nasser, tornou-se, mais tarde, um reduto de piratas. Em 1610, a cidade passou para os espanhóis que por lá permaneceram até 1689 quando Moulay Ismail, finalmente, retoma a cidade. Os ataques a Larache continuaram permanecendo em mãos muçulmanas. Em 1765 uma frota francesa falhou na expedição a Larache e, na época da colonização, entre 1911 e 1956, Espanha administrou a cidade.

Larache vale por uma uma breve visita para sentir o cheiro intenso do mar, apreciar o peixe grelhado e usufruir do pulsar de vida de uma típica cidade costeira marroquina. A velha medina, o kasbah de La Cigogne e o museu arqueológico construído na cidadela espanhola merecem uma visita. Os muros que cercavam a medina e o kasbah, agora em ruínas, adicionam um ar interessante à cidade. Pese o facto de esta ter já conhecido melhores dias, possui ainda uma atmosfera agradável, sendo a cidade nova um bom exemplo da arquitectura colonial espanhola, com as cores dos prédios em branco e azul. Por curiosidade, aqui se encontra sepultado, no cemitério espanhol, o romancista, poeta, dramaturgo e activista político Jean Genet (1910-1986).

Retomando a nossa A1 na direcção do norte, impõem-se uma nova paragem, 25 km acima, desta vez mais demorada e que se irá revelar numa autêntica e agradável surpresa. Já conhecia Asilah de passagem mas nunca lhe tinha tomado o gosto, penetrando-a no que ela tem de mais admirável…

Asilah (Assilah ou Arzila) é uma cidade fortificada na ponta noroeste da costa atlântica, a cerca de 30 km a sul de Tânger. Conquistada pelos portugueses em 1471 e abandonada em 1549, as suas muralhas foram por eles construídas nos séculos XV e XVI, sendo o seu nível de preservação, em parte, resultado de restauração recente. No seu interior, a medina revela-se-nos extremamente atractiva, toda pintada de branco e azul ao estilo andaluz, limpa e bem conservada em que o paredão oferece uma panorâmica encantadora sobre o oceano fazendo dela uma das cidades mais atraentes de Marrocos.

Em 1692 a cidade foi tomada pelos marroquinos tendo servido como base para os piratas nos séculos XIX e XX. De 1912-1956 teve administração espanhola e em 1978 surgiu o grande plano para restaurar a cidade. Estancia balnear com complexos de férias, modernos apartamentos na estrada da costa que conduz à cidade de Tânger e abrigo anual de festivais de música e de arte, incluindo um festival de pintura mural.

Com as cidades movimentadas de Tânger e Tétouan por perto, não faltam turistas ao redor que procuram em Asilah um local descontraído e bonito, lembrando-nos a Grécia — pelos melhores motivos! —, ostentado no seu estilo mediterrâneo com casas caiadas de branco, quebrado por algumas pinturas nas paredes. Ponto de encontro de artistas que vão deixando vestígios da sua actividade ao virar de cada esquina das estreitas ruelas.

O Verão é a época mais aconselhada para visitar Asilah recebendo os visitantes através de festivais de diferentes tipos. Em Agosto a arte e a música são os ingredientes principais.
Em Agosto, durante o Festival Cultural Internacional de Asilah que se realiza desde 1978, uma série de paredes das casas são transformadas em originais telas de pintura, algumas delas – as melhores – sobrevivendo até ao próximo Festival. Todos os anos artistas e intérpretes chegam de todo o mundo para participarem neste peculiar evento deixando para trás murais pintados nas paredes caiadas de branco da cidade, sendo, em grande parte, realizado no Palais de Raisouli bem como no Centro de Hassan II onde há uma exposição permanente de arte.

Grande parte da cidade é de uso estritamente pedonal em ambiente agradável e tranquilo. Lugar amigável com boa comida e excelentes praias. O encanto de Asilah é a sua antiga cidade murada em alguns penhascos acima do Oceano Atlântico, oferecendo das muralhas ao visitante excelentes pontos de vista sobre o mar com ondas batendo furiosamente no fundo da falésia – em grande parte, a razão para a existência de Asilah, criando uma defesa eficaz contra os antigos atacantes. A praia de Asilah é extremamente bem localizada, ao longo de um quilómetro a norte da medina, e Paradise Beach — outra praia famosa, 3 km ao sul — um verdadeiro paraíso para os entusiastas do surf, muito popular entre os moradores e forasteiros. Outras há igualmente bonitas mas de difíceis acessos.

Chegar ao porto de Tânger ao anoitecer confere uma áurea de mistério e as sempre demoradas e fastidiosas manobras alfandegárias provocam em nós uma crescente ansiedade. Não por regressar a casa mas, já que temos de ir, que o façamos rapidamente que estamos cansados e esfomeados. Jantar comida de plástico no ferry boat é o que nos espera antes de entrarmos na Andaluzia, por Tarifa.

E o repouso na linda Vejer de La Frontera, boa-noite!
 

Fontes de Informação
 

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Ser Nómada em Marrocos (FotoDiário de Viagem)

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Parte II                                                        Parte III



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1 comentário:

Dina Rodrigues disse...

Boa noite Zé, tenho de vir com tempo ver a tua viagem a Marrocos. Criei um Blogue novo e copiei para lá o antigo. Se quiseres vai lá aderir novamente ao site, eu gostava. Obrigado! Desculpa, mas desta vez é que é de vez, que fica o Blogue!

Beijo
Dina