07 julho 2011

Picos de Europa 2011 – Los Beyos (Parte 4/4)



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… voltaremos!

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Uma pequenina dor invisível e partilhada se instala na hora do regresso que umas vezes é a saudade de casa, outras a vontade de permanecer porque tudo se passa tão rapidamente e a dorzita a instalar-se, inexorável, no meio das duas…

Desde sempre que não gosto de regressar pelo mesmo caminho. Sinto-me já em férias quando, na hora da partida, ponho um pé na soleira da porta, sentindo que elas terminaram apenas e só no recolher do outro na mesma soleira para dentro de casa, no regresso.

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Daí a opção do dois em um: regressar por outro itinerário, proporcionando um misto de aventura e descoberta. Assim, abastecidos de combustível nas imediações de Cangas de Onis – sobre ela um último relance num adeus, até breve –, se inicia a marcha da caravana entrando numa estrada novidade absoluta.

Tendo antecipadamente perscrutado mapas e publicações – confirmando as indicações do GPS equipado com cartografia topográfica – a certeza de ser muito interessante pela paisagem atravessada.

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De facto, logo após os primeiros dos 580 km restantes até ao ponto de partida na A3, inicia-se um percurso sinuoso e estreito de montanha. É o Desfiladeiro de Los Beyos acompanhando o curso do já nosso mais que conhecido e familiar Rio Sella, contornando o limite do Parque Nacional pelo Maciço Ocidental, até à confluência com o Rio de Los Pontigos e, depois, o Rio Tuerto no cruzamento de acesso a Posada de Valdeón.

Esta magnífica garganta mais não é que uma extensa, profunda e apertada fenda entre montanhas e, em certos sítios, vislumbrar o rio lá em baixo é tarefa impossível. Dá a sensação que as montanhas, movendo-se em simultâneo, nos esmagarão irremediavelmente deixando-nos fossilizados ou mumificados para o resto de todo o sempre!

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É ao chegar próximo do Embalse de Riaño que os horizontes se alargando, abrem-se para uma majestosa albufeira que os montes circundantes – perfeitamente reflectidos nas águas tranquilas – revelam, qual espelho, uma simetria perfeita e oposta.

Mais do que a oportunidade para esticar pernas, tomar café, visitar servicios e, abocanhando a bonita paisagem ao redor de Riaño, fotografar abundantemente.

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Neste ponto cruzamos um acesso regional ao mais importante Caminho de Santiago – o Francês – sendo nos arredores de León que verdadeiramente o interceptamos, proveniente de Saint-Jean-Port-de-Mer (França), entrando em Espanha por Roncesvalles e procedente para Astorga e Santiago de Compostela.

Enquanto ele segue para oeste, nós para sul ao encontro de Benavente para almoçar, evitando a monotonia da A66 e os seus € 10,95 de portagem, ganhando em diversidade e humanização das agora planálticas paisagens atravessadas.

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Estão decorridos 232 km e daí até o Lago de Sanabria seria um pulinho de 102 km, com direito a vistas sobre as pequenas praias e respectivos domingueiros, uma ou duas cervejas e meia de conversa a puxar já para as considerações e apreciações finais. Uma penúltima paragem à entrada de Vila Verde da Raia em que os termómetros marcam 39 graus e quase chovendo.

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É na Área de Serviço de Coronado / Trofa na A3 que as despedidas se fazem tais como promessas de um dia, quem sabe, voltar… lá ou a outro qualquer lugar!

Aqui se contam os 1420 km, descontando os 14 km de canoagem, os 4 km de caminhada e os 3 km de teleférico. O que é já incontável é a magnífica viagem que agora mesmo aqui se finda…

Em meu nome e no de Manuel Carlos Monção, a todos os companheiros de viagem… MUITO OBRIGADO!

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Mapa Percurso

Mapa geral dos percursos nas Astúrias, Cantábria e Castilla y León







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PICOS DE EUROPA 2011
 


Hiperligações relacionadas

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1990                                                    2004                                                   2006



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(álbum integral)




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05 julho 2011

Picos de Europa 2011 – Pistas de Espinama e Iguedri (Parte 3/4)


 
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… percorrer-te!
 

Poderemos considerar este terceiro dia da nossa Expedição como o mais longo em condução nas Astúrias, com 185 km, subdividido em três partes: o primeiro troço, de Cangas de Onis a Sotres, o segundo até Espinama e o terceiro de Fuente Dè a Arenas de Cabrales.

Primeiramente, a inevitável foto de família no Mirador de Naranjo de Bulnes, em terras de Cabrales, com vistas magníficas de verde e rocha. Terra do famoso, mal cheiroso, potentíssimo e delicioso queijo de Cabrales, tratado no bolor e humidade da terra em cavernas.

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Agora é começar a subir a montanha que nos levará mais perto do céu, desfiando asfalto cobrindo a estrada sinuosa, estreita e de beleza medonha pelo desfiladeiro do Rio Cares até Ponte Poncebos onde existe uma mini-hídrica, trazendo-nos à memória certas paisagens do sul marroquino. Só que aqui com mais muito mais verde. Junto à ponte começa o percurso pedestre da Ruta del Cares que sobe a montanha, contornando-a num permanentemente espectacular trilho ao longo das Gargantas do Cares.

Com cerca de 22 km e apenas praticável a pé ou de bicicleta, pela sua extensão seria necessário um dia inteiro para o percorrer até Posada de Valdeón. Juro a mim mesmo que vocês são testemunhas que da próxima é que é: ou mais um dia de Expedição ou substituição da Descida do Sella por esta actividade se bem que, por mim, fico pela primeira hipótese! (Manel, estás a acompanhar-me…?)

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Então, desta lá continuamos a nossa ascensão avistando várias inverneiras na paisagem até à mais alta aldeia dos Picos com os seus 1065m, equivalente ao nosso Sabugueiro mas saudavelmente menos turística. Sotres é pequena, linda e muito acolhedora se bem que, actualmente com obras no pavimento, revela um certo ar de estaleiro. Garanto que também é lindíssima cheia de neve!

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Após o café na esplanada, prontamente pagos – castigo prometido, obriga! – pela dupla do costume (os que mais água meteram no dia anterior…) lá nos aprontámos para a parte que alguns mais gostam: a condução fora de estrada.

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Iniciada neste ponto, a pista para Espinama – a partir de Las Vegas del Toro, por vales glaciários – sempre subindo em caminho poeirento, cheio de vacas, caminheiros e bttistas. Chegados ao Chalet Real – nosso ponto de passagem mais alto com 1650m –, derivamos pela pista da esquerda, a de Iguedri, que conjuntamente com a anterior somam cerca de 20 km. Avistam-se os picos mais altos destas paragens – ou circulamos entre eles –, variando entre os 2510m do Picu Urriellu, os 2570m do Tesorero, os 2613m de Peña Vieja, os 2642m da Torre Llambrión e os 2648m de Torre Cerredo.

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É no seio desta verdadeira obra de arte da natureza o último refúgio de espécies em risco de extinção tais como o urso pardo e as águias perdigueira e real. O pito negro também habita neste fim de mundo tal como o lobo, o javali, o corso, o cervo e o rebeco cantábrico – outrora quase extinto e actualmente com 6000 indivíduos! Infelicidade a nossa que só avistámos cavalos selvagens, aves de rapina e vacas, vacas e vacas. Ainda assim, desconfio ter avistado ao longe e atrás das giestas um pito… que não era negro!

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A Pista de Iguedri termina em Espinama para uma visita pedestre e o almejado cocido lebaniego, excelentemente servido e bem misturado com a simpatia e prestimosa colaboração do Vicente Campo.

Em Fuente Dè havia que libertar alguma adrenalina através do percurso de 1400 metros de extensão do teleférico até ao Mirador del Cable com 1840m de altitude, 750m acima. Paisagem deslumbrante em todo o redor, com réstias de neve nos picos mais altos. Aqui sim, podemos avistar três rebecos – embora não-cantábricos – monte acima até ao topo: o João, a Gracinda e o Cris, incansáveis trepadores e andarilhos como desde o primeiro dia demonstraram.

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Para finalizar este dia estupendo seria necessário ainda percorrer os 120 km – através do encantador Vale de Liebana e o espectacular Desfiladeiro de La Hermida onde, mais uma vez, nos vem à memória as soberbas gargantas do norte de África. Com uma pausa na simpática vila de Potes – irresistível para a fotografia, compra de lembranças, gelados, café nas esplanadas e até assistir a uma prova de BTT decorrente nos montes adjacentes –, prosseguimos até Arenas de Cabrales concluindo, assim, um gigantesco círculo à volta do Maciço Oriental do Parque Nacional de Picos de Europa, regressando após ao nosso centro logístico de Onis.

A noite ou parte dela faz-se em Cangas de Onis de passeio pelas ruelas e ao longo do Rio Guña, afluente do Sella próximo da inconfundível ponte romana sobre este e cuja travessia é um autêntico jogo de pés no breu sobre as pedras escorregadias e gastas.

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