19 novembro 2010

Floresta de Cedros e Sources de L’Oum-er-Rbia



Esta quarta etapa, entre Fès e Imilchil, seria a mais longa - exceptuando a primeira e a última - em que os seus 396 km dariam para o dia todo e, quanto receio nosso, parte da noite tal como acontecera em 2005 com a chegada ao Albergue de Tislit pelas horas da amargura. Às duas da manhã com neve, frio, fome e cansaço!

Sair dos subúrbios da Grande Cidade Imperial revelou-se tarefa algo atribulada pois nem todos rendidos ainda à eficácia do Sistema de Posicionamento Global que era só seguir o track previamente gravado…!

Em Ifrane - autêntico parêntesis no contexto arquitectónico das cidades e vilas marroquinas, havendo quem lhe chame a Suíça de Marrocos - chovia e o frio era de rachar durante uma pausa na confeitaria antes de nos embrenharmos num maravilhoso bosque de cedros.


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Parte integrante do Haut-Atlas Oriental National Parc a recepção foi ruidosa e alegremente animada pelos nossos aparentados amiguinhos que nos aguardavam gulosos e atrevidotas. Atravessar a extensa floresta é tarefa demorada sempre rodeados de paisagens de estarrecer num percurso sem dificuldades. Apenas longo em que a ansiedade de chegar e os estômagos apertados, de se lhes dar a merecida atenção. O almoço estava previsto nas pouco conhecidas Sources de L’Oum-er-Rbia, lugar mágico e felizmente fora das rotas dos roteiros turísticos.

Rio também conhecido por L’Oum Errabia com 600 km de extensão, nascendo no Médio-Atlas e desaguando no Atlântico em Azemmour, próximo de El Jadida. Para onde se precipitam correntes cristalinas de água das quase cinquenta fontes ou nascentes das colinas que lhe servem de encaixe e margens. Com a particularidade de umas serem de água doce e outras de salgada. Sim, salgada de sal tal como o mar, fenómeno comprovado por todos! Apesar das chuvas dos dias antecedentes a Cascata era pequena, contrariando nossas expectativas.

- Porra, é isto…?! andámos tanto para ver pedras…?! onde tá o restaurante?!

Matreiros, nem eu nem o Manel respondemos à Isabel, limitando-nos a caminhar monte acima logo metendo conversa com um homem que se aproximou. Berbere, habitante destas montanhas, Omar homem simples e afável e claro que prestável tendo à minha questão respondido prontamente que sim que arranjava almoço para todos que o seguíssemos. Caminhámos até à base da Cascata em alguns troços com dificuldades para não irmos a banhos porque para além de gelada a corrente era muito forte.

Duas tajines de borrego acompanhadas de pão local e chá e sem talheres num manjar dos deuses irrepetível numa ambiência absolutamente indescritível em que o sussurro das águas é ensurdecedor!

Sentados em chão de tapetes e almofadas o deleite vai ao ponto de a menina do Porra, é isto…?! sugerir que por ali ficássemos pernoitando embrulhados nos saco-camas e nas mantas…
Talvez para a próxima que haveríamos de seguir rumo a um outro lugar mágico que eles são incontáveis, o Planalto dos Lagos e havia muito caminho ainda…


Novamente teimosias de navegação levam-nos a perdas de tempo e nas redondezas de Khenifra por horas tardias entrámos numa pista de 17 km que nos levaria a uma outra com cerca de 100 até Imilchil. Anoitecia rapidamente e nos primeiros quilómetros deparámos com grandes charcos de lama e mau piso. Contraproducente seguirmos este caminho de noite e sem qualquer outro jipe de apoio porque não sabíamos do estado das pistas presumindo que muito mau pelas chuvadas dos dias anteriores.

Invertida a marcha e grande a desolação interior mas o que devia ser feito estava em marcha tanto que numa aldeia próxima e auscultada a opinião de um homem sobre como chegar a Imilchil, desaconselhou veementemente a utilização das pistas porque intransitáveis devido às derrocadas de terra, lama e pedras e de os rios terem saído dos seus leitos invadindo parte delas.

Ou seja, teríamos de contornar várias montanhas, seguindo para sudeste para atacar o Planalto pelo sul, em sentido oposto ao nosso. O que significaria um acréscimo de 238 km para chegarmos ao Albergue, quase dentro do Lago Tislit, pelas onze da noite onde um grupo de homens e o jantar nos aguardavam. Tal como quartos limpos e espartanos em ambiente quente e muito acolhedor.

Tal como o dia seguinte…




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FotoDiário de Viagem

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3 comentários:

Anónimo disse...

Fantastica etapa, sitio lindissimo e original, tagine de lamber os dedos!
Fotos lindas como sempre!
O meu diário não está tão pormenorizado quanto o teu resumo, eheheh!:))
Fátima

Liz disse...

Lindas fotos e belissimo texto... concerteza uma viagem inesquecivel. Obrigada pela partilha!
Beijooo!

Arábica disse...

Bom...eu repito a tagine :)) fotográfica :) e imaginária :)