25 novembro 2010

Planalto dos Lagos, Imilchil

 

Marrocos20101012#0104 [JMB]Poder-se-ia chamar a este planalto desértico do Médio-Atlas marroquino, a cerca de 2.500 metros de altitude, o Planalto dos Noivos devido à existência de lagos nas crateras de dois vulcões, separados por uma dezena de quilómetros: o Tislit (A Noiva) e Islit (O Noivo).

Reza a lenda que dois amantes, pertencentes a tribos berberes inimigas, foram impedidos de casar pelas respectivas famílias. Haviam já trocado votos e com os corações despedaçados sentiram que lhes era impossível viverem separados pelo que resolveram afogarem-se nos dois lagos.

Marrocos20101012#0103 [JMB]Quis o destino que nem na morte eles fossem capazes de se unir devido à imponência das montanhas entre os dois corpos de água: por mais que seus espíritos lutem para se reencontrarem isso nunca acontecerá. Aqui, nem a água nem os espíritos se podem juntar.

Este acto desesperado cometido por ambos foi tão devastador para os clãs hostis que, desde então, os pais destas tribos passaram a conceder aos seus filhos o direito de escolherem livremente os seus parceiros de casamento.

Esta é a razão pela qual todos os anos, após as colheitas, em Setembro, no local se realiza o famoso Festival do Casamento de Imilchil onde acorrem, de todos os cantos do Reino, homens e mulheres jovens em busca de companheiro. Chega a haver cerca de 40 casais a fazerem votos num só dia, sendo que a celebração dos casamentos é posterior, em data e local da preferência dos noivos.

Este Festival transborda de alegria e júbilo extravasados nas festas, nas canções, nas danças, nos rituais e nas compras efectuadas no mercado que aqui se instala.

O moussem ocorre no local do túmulo de Sidi Mohamed El Maghani, o santo padroeiro da tribo Haddidou Ait, por abençoar, tornando feliz e duradoiro o casamento.

Marrocos20101013#0053 [JMB]Tendo deixado de ser um evento fechado, exclusivo dos membros de algumas famílias das tribos, recentemente este Festival tornou-se aberto a turistas. Apesar de ainda existirem alguns pais de futuras noivas que sentem suas filhas ameaçadas, não aprovando a presença de forasteiros. Por esta razão, os que assistem às festividades, devem respeitar escrupulosamente todos os rituais e costumes do evento. Será sempre um privilégio gratificante para todos quantos a ele assistem.

Infelizmente, ainda não tive essa oportunidade de participar; já estive em Marrocos nos meses de Março e Abril, Julho e Agosto, Outubro, Novembro e Dezembro. Nunca em Setembro, o que espero poder acontecer da próxima escapadinha.

De Imilchil até ao destino desta nossa quinta etapa, o Kasbah Jurassique nas magníficas Gargantas do Ziz, são quase duzentos quilómetros. Cruzando inúmeras aldeias cheias de vida, de gente, de crianças, sempre dentro de uma paisagem incrivelmente bela. Verdadeiramente sumptuosas as margens dos rios atravessados ou percorridos.

Aguardava-nos um albergue cheio de simpatia, muito acolhedor e muito bonito. E um chá crepuscular completamente esmagados pelas montanhas circundantes…!
 
    


Marrocos20101013#0006 [JMB]Marrocos20101013#0003 [JMB]Marrocos20101013#0005 [JMB]

Marrocos20101013#0008 [JMB]Marrocos20101013#0009 [JMB]Marrocos20101013#0010 [JMB]

Marrocos20101013#0012 [JMB]Marrocos20101013#0013 [JMB]Marrocos20101013#0016 [JMB]

Marrocos20101013#0017 [JMB]Marrocos20101013#0019 [JMB]Marrocos20101013#0020 [JMB]

Marrocos20101013#0021 [JMB]Marrocos20101013#0022 [JMB]Marrocos20101013#0024 [JMB]

Marrocos20101013#0025 [JMB]Marrocos20101013#0029 [JMB]Marrocos20101013#0030 [JMB]

Marrocos20101013#0032 [JMB]Marrocos20101013#0036 [JMB]Marrocos20101013#0039 [JMB]

Marrocos20101013#0041 [JMB]Marrocos20101013#0042 [JMB]Marrocos20101013#0044 [JMB]

Marrocos20101013#0045 [JMB]Marrocos20101013#0046 [JMB]Marrocos20101013#0048 [JMB]

Marrocos20101013#0051 [JMB]Marrocos20101013#0054 [JMB]Marrocos20101013#0056 [JMB]
 



Marrocos20101013#0000 (0055) [JMB]
 
FotoDiário de Viagem

Marrocos20101013#0000 (0049) [JMB].jpg



Protected by Copyscape Original Content Checker


19 novembro 2010

Floresta de Cedros e Sources de L’Oum-er-Rbia



Esta quarta etapa, entre Fès e Imilchil, seria a mais longa - exceptuando a primeira e a última - em que os seus 396 km dariam para o dia todo e, quanto receio nosso, parte da noite tal como acontecera em 2005 com a chegada ao Albergue de Tislit pelas horas da amargura. Às duas da manhã com neve, frio, fome e cansaço!

Sair dos subúrbios da Grande Cidade Imperial revelou-se tarefa algo atribulada pois nem todos rendidos ainda à eficácia do Sistema de Posicionamento Global que era só seguir o track previamente gravado…!

Em Ifrane - autêntico parêntesis no contexto arquitectónico das cidades e vilas marroquinas, havendo quem lhe chame a Suíça de Marrocos - chovia e o frio era de rachar durante uma pausa na confeitaria antes de nos embrenharmos num maravilhoso bosque de cedros.


Marrocos20101012#0001 [JMB]
Parte integrante do Haut-Atlas Oriental National Parc a recepção foi ruidosa e alegremente animada pelos nossos aparentados amiguinhos que nos aguardavam gulosos e atrevidotas. Atravessar a extensa floresta é tarefa demorada sempre rodeados de paisagens de estarrecer num percurso sem dificuldades. Apenas longo em que a ansiedade de chegar e os estômagos apertados, de se lhes dar a merecida atenção. O almoço estava previsto nas pouco conhecidas Sources de L’Oum-er-Rbia, lugar mágico e felizmente fora das rotas dos roteiros turísticos.

Rio também conhecido por L’Oum Errabia com 600 km de extensão, nascendo no Médio-Atlas e desaguando no Atlântico em Azemmour, próximo de El Jadida. Para onde se precipitam correntes cristalinas de água das quase cinquenta fontes ou nascentes das colinas que lhe servem de encaixe e margens. Com a particularidade de umas serem de água doce e outras de salgada. Sim, salgada de sal tal como o mar, fenómeno comprovado por todos! Apesar das chuvas dos dias antecedentes a Cascata era pequena, contrariando nossas expectativas.

- Porra, é isto…?! andámos tanto para ver pedras…?! onde tá o restaurante?!

Matreiros, nem eu nem o Manel respondemos à Isabel, limitando-nos a caminhar monte acima logo metendo conversa com um homem que se aproximou. Berbere, habitante destas montanhas, Omar homem simples e afável e claro que prestável tendo à minha questão respondido prontamente que sim que arranjava almoço para todos que o seguíssemos. Caminhámos até à base da Cascata em alguns troços com dificuldades para não irmos a banhos porque para além de gelada a corrente era muito forte.

Duas tajines de borrego acompanhadas de pão local e chá e sem talheres num manjar dos deuses irrepetível numa ambiência absolutamente indescritível em que o sussurro das águas é ensurdecedor!

Sentados em chão de tapetes e almofadas o deleite vai ao ponto de a menina do Porra, é isto…?! sugerir que por ali ficássemos pernoitando embrulhados nos saco-camas e nas mantas…
Talvez para a próxima que haveríamos de seguir rumo a um outro lugar mágico que eles são incontáveis, o Planalto dos Lagos e havia muito caminho ainda…


Novamente teimosias de navegação levam-nos a perdas de tempo e nas redondezas de Khenifra por horas tardias entrámos numa pista de 17 km que nos levaria a uma outra com cerca de 100 até Imilchil. Anoitecia rapidamente e nos primeiros quilómetros deparámos com grandes charcos de lama e mau piso. Contraproducente seguirmos este caminho de noite e sem qualquer outro jipe de apoio porque não sabíamos do estado das pistas presumindo que muito mau pelas chuvadas dos dias anteriores.

Invertida a marcha e grande a desolação interior mas o que devia ser feito estava em marcha tanto que numa aldeia próxima e auscultada a opinião de um homem sobre como chegar a Imilchil, desaconselhou veementemente a utilização das pistas porque intransitáveis devido às derrocadas de terra, lama e pedras e de os rios terem saído dos seus leitos invadindo parte delas.

Ou seja, teríamos de contornar várias montanhas, seguindo para sudeste para atacar o Planalto pelo sul, em sentido oposto ao nosso. O que significaria um acréscimo de 238 km para chegarmos ao Albergue, quase dentro do Lago Tislit, pelas onze da noite onde um grupo de homens e o jantar nos aguardavam. Tal como quartos limpos e espartanos em ambiente quente e muito acolhedor.

Tal como o dia seguinte…




Marrocos20101012#0093 [JMB]Marrocos20101012#0002 [JMB]Marrocos20101012#0018 [JMB]

Marrocos20101012#0009 [JMB]Marrocos20101012#0029 [JMB]Marrocos20101012#0015 [JMB]

Marrocos20101012#0047 [JMB]Marrocos20101012#0022 [JMB]Marrocos20101012#0023 [JMB]

Marrocos20101012#0030 [JMB]Marrocos20101012#0044 [JMB]Marrocos20101012#0037 [JMB]

Marrocos20101012#0042 [JMB]Marrocos20101012#0046 [JMB]Marrocos20101012#0053 [JMB]

Marrocos20101012#0052 [JMB]Marrocos20101012#0050 [JMB]Marrocos20101012#0055 [JMB]

Marrocos20101012#0061 [JMB]Marrocos20101012#0064 [JMB]Marrocos20101012#0066 [JMB]

Marrocos20101012#0070 [JMB]Marrocos20101012#0067 [JMB]Marrocos20101012#0072 [JMB]

Marrocos20101012#0073 [JMB]Marrocos20101012#0079 [JMB]Marrocos20101012#0090 [JMB]

Marrocos20101012#0080 [JMB]Marrocos20101012#0058 [JMB]Marrocos20101012#0083 [JMB]





Marrocos20101012#0000 (0019) [JMB]




FotoDiário de Viagem

Marrocos20101012#0000 (0043) [JMB].jpg



Protected by Copyscape Plagiarism Tool