22 junho 2010

Caminho de Santiago – Etapa 01: Matosinhos » Porto » Tamel



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Etapa 01
05.Junho.2010
Matosinhos » Porto (Sé Catedral) » Tamel (Albergue)
Km: 78,70
Duração: 11:15H

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Desprendimento…
 
Quisera eu – por motivos afectivos - que o primeiro selo na minha Credencial de Peregrino tivesse sido na Padeira, a Confeitaria Pereira da minha rua, mas a ausência do carimbo no estabelecimento fez com que o primeiro selo fosse mesmo o da Sé Catedral do Porto, início oficial do Caminho Português de Santiago

A manhã acordara enevoada e fresca e, no troço inicial de minha casa à Sé, o corpo revelava os efeitos de uma noite mal dormida – é sempre assim, na véspera da viagem: o espírito fica inquieto e a insónia toma forma – mas nada que um primeiro café não resolva!

Na Sé, à minha questão de quem estava no Caminho naquele dia, retive que dois ciclistas tinham partido há já algum tempo… fiquei curioso!

À parte o atravessamento da zona histórica do Porto e uma ou outra curiosidade sobejamente reconhecida, o troço até Vilarinho revela-se pouco interessante, atravessando zonas residenciais e ruas perigosamente movimentadas. Não fosse sábado e o caso seria ainda mais complicado até porque, fazendo jus ao meu opcional fundamentalismo em circular exactamente pelo percurso medieval, diversas vezes conduzi em contra-mão, algumas das quais desmontado da bicicleta e/ou pelos passeios que por aquelas horas levavam poucos transeuntes.


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Chegado a Vilarinho – quase sempre em empedrado português - o almoço foi de faca e garfo numa esplanada, pois claro! Uma providencial omeleta mista que haveria de durar até ao jantar…

Encarei esta primeira etapa com espírito de limpeza, isto é, um esvaziamento progressivo, ao longo dos quilómetros, de tudo o que de pouco importante ou de supérfluo me vinha à cabeça. Esvaziar preocupações, concentrar-me no meu próprio corpo e nos seus ritmos internos, gerindo a actividade, o cansaço, as dores musculares.

É embalado na descida para a ponte sobre o rio Ave que apanho os presumíveis dois ciclistas, atrás referidos, ultrapassando-os com um Bom Caminho! e um sorriso cúmplice. Parei na ponte para fotografar, aguardando que me alcançassem, parassem e aí travássemos conhecimento. Não! Sorriram à passagem e devolveram um Bom Camiño! Tratava-se de um casal, muito profissional, na casa dos 60. Admirável toda aquela frescura e também achei que um dia quereria ser como eles…!


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O troço de Vilarinho a Barcelos revela-se bem mais interessante: ruralidade, caminhos em bom estado, em terra batida, paisagens abertas e veredas arborizadas.

S. Pedro de Rates (que possui Albergue de Peregrinos) é ponto obrigatório de passagem, paragem e deleite.


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Pedra Furada, a seguir, pode ser ponto de encontro e restabelecimento de líquidos e sólidos no restaurante com o mesmo nome. O Sr. António tirar-vos-á uma fotografia por detrás do balcão e, mais tarde, haveis de figurar nos álbuns de fotografias de todos os peregrinos que por ali passam. E há-de dar-vos de conselho pernoitarem no esplêndido Albergue de Tamel, depois de Barcelos. Com cumprimentos ao Sr. Filipe, funcionário do Albergue…

Reencontrei neste local o tal casal - austríacos, de 60 e 61 anos de idade - tendo ficando eu a saber que a sua proveniência era já de Lisboa – o Caminho Real!
 

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Fortes dores musculares nas pernas foram crescendo e, a meio da tarde, ameaçavam ficar contraídas, com cãibras.

Era uma etapa de iniciação, de adaptação e, embora longa, nada difícil mas o cansaço ia crescendo.

Tinha imaginado pernoitar num parque rural de campismo, próximo de Ponte de Lima mas, à medida que o tempo e os quilómetros decorriam, essa talvez não fosse a melhor opção. Puxei do conselho do Sr. António e estabeleci que iria ficar em Tamel… até para matar a curiosidade!
 

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Lá cheguei, já um pouco arrastado, pois embora as subidas não tivessem sido muitas nem pronunciadas, algumas havia em que mais parecia que havia dois homens a puxarem-me a bicicleta para trás…!

De facto, ia com demasiado peso na minha bicicleta que, ainda por cima - em vez de duas - tinha três rodas! Já viram uma bicicleta que, sem deixar de o ser, tem três rodas?!

Na terceira levava toda a carga, completamente autónomo e auto-suficiente: pc portátil, baterias, pilhas, carregadores, tenda, saco-cama, roupa, impermeável, calçado, alimentação básica, etc.
 

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Era minha pretensão, no final de cada etapa, ter disposição e tempo para publicar neste blogue as minhas impressões do dia, acompanhadas de fotografias, mas esqueci-me que poderia acontecer não ter rede de acesso à internet móvel! Foi o que aconteceu, quase sempre, durante toda a viagem…!

Nunca havia pernoitado num albergue e muito menos sabia que as excelentes camaratas deste e de outros… eram mistas!

Nada de mais a não ser a fantástica descoberta que o ressonar das mulheres é exactamente do mesmo tamanho e cor do dos homens! Que no conjunto e na mistura confere ao local uma sonoridade deveras interessante e polifónica, capaz de tirar o sono ao mais exausto ou dorminhoco!

Excelente o Albergue de Tamel, absolutamente recomendado… até no preço: € 3,00 (três euros)!
 
 

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