23 janeiro 2010

Duas Sílabas





Duas Sílabas (Nostalgia de um Verão#003) (JMB)




Não há longe nem lugar
que nos separe ou cerque
aqui onde os nomes mudam
como aves migratórias
e permaneço quieto…



Não há longe no olhar que se perde
doce e faminto.
Chamo-te novamente e tu vens
não pelo nome
nem por palavras que não conheces…



Chamo-te!
E chamar-te
é um olhar ternamente
longínquo e cúmplice…
Eterno como antes.



Olhar distante. Revejo-te
em minhas mãos inertes
que pendentes se agitam
da tua ausência.
Como te hei-de chamar então
se não conheço nome outro?



Amor…? E sorris na penumbra da tarde
em que o sonho aniquila vontades outras
não cedendo apenas te bastam duas sílabas.
Apenas duas leves sílabas
no silêncio que ambos escutamos
em que juntos habitamos o tempo longo…



Escuta o silêncio dos pássaros. Da noite. Do ser.
Escuta o silêncio em que juntos permanecemos
no que havia de ter sido dito e não dissemos.
Escuta-o porque é nesse padecer silenciado
que nos engrandece quem verdadeiramente somos!





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21 janeiro 2010

… o tempo que dura…





o tempo que dura... [JMB]




Na praia o sol é só o tempo que dura uma manhã
e uma névoa que se expande a partir do mar.

 
Deserto que se faz quente
areia que se faz gente
e eu só…!

 
Imaginárias lágrimas de cal interiores.
Não se notam. Não
escorrem nem pendem.
Apenas são
e tu que não as vês…
Navegam dentro de mim num bote angustiado.

 
Grossas e concentradas
de permanecerem.


 

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