10 março 2009

Nevava!

 

 

 

Nevava! #01 (Dias claros, tão brancos... quase de neve! #116)

 

 

 

Vinte e nove anos depois…

preservando sua memória!

Estávamos na serra da estrela,

caía o primeiro  nevão

e era dezembro.

 

Fora da estalagem estremecia-se de frio

de olhos longínquos,  na montanha

de cumes esbranquiçados

soltavam-se imensas, graduais gotículas,

instantaneamente congeladas no desespero.

 

Durou apenas a eternidade dum instante

até Laura me tocar no braço com a leveza dos flocos

do cinzento do céu,

interrogando-me  de olhos mudos nos meus.

 

(Nevavam…os dela apenas salpicados de compaixão.)

 

E fora de mim caíam os primeiros farrapos de neve,

era dezembro,

na serra da estrela.

Lá fora, um frio…

 

Ofereceu-me um lenço branco e perfumado

fazendo-me deslizar ridículo na pedra  

- sim,  porque um homem nunca chora!

Mas porquê esconder o frio amargo?

 

Enxuguei ao de leve os olhos suspensos

enquanto me despedaçava com aquela ternura

no olhar

com que os flocos se deixam cair em nossos ombros,

sentindo-me abraçado naquela distância que

se nos entrepunha,

apertado contra o seu magro peito,

 

naquele aperto suavemente consistente

ao mesmo tempo que lhe segredava ao ouvido:

- …!

Nevava! #02 (Dias claros, tão brancos... quase de neve! #079)

 

 

 

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