14 março 2009

… e nos amávamos!

 

 

 

E nos amávamos! #02

 

 

 

Há muito, muito tempo atrás

as pessoas sorriam porque lhes apetecia.

Tocavam-se, docemente,

no bulício da cidade

e pediam desculpa.

 

 

Há ainda mais tempo,

muito, muito tempo atrás,

os povos falavam a mesma linguagem

ignorando fronteiras ou territórios,

o comprimento dos cabelos

a cor das sandálias nos pés,

- não haviam sido inventados ainda

os corpos urbanos tatuados,

as  argolas dos umbigos,

ou os execráveis pregos nos sexos

desactivados.

 

 

 

E nos amávamos! #03

Há algum, pouco tempo atrás,

- não havia internet -

existia o Diálogo,

a tertúlia no Aviz.

Éramos simples e verdadeiros,

trocávamos sorrisos,

mordíamos os calcanhares,

discutíamos e sonhávamos.

 

 

Comentávamos os livros naquele xadrez

de poesia.

Da  filosofia as fortes convicções,

os comportamentos,

banhados de uma confrangedora ingenuidade.

 

 

Namorávamos as amigas comuns

- que é como quem diz que

a amiga do nosso amigo nossa amiga é…! -

deixando-lhes recados nos olhos

-  sem luzinhas a piscar!

Acreditando – imaturos! - em mudar o mundo,

estudávamos, éramos felizes

 

 

… e nos amávamos de olhos fechados!

E nos amávamos! #01 

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1 comentário:

Arabica disse...

Retrato mais que perfeito.


Há 3O anos, era inconcebível vivermos, sem vermos os amigos.

Hoje é inconcebível os nossos amigos não terem net, para estarem on-line connosco, ou pior: sem nós.

Em que ponto do percurso nos perdemos uns dos outros?


Talvez por isso, agora o deserto seja apelativo: cópia das ruas desabitadas que nós somos.