12 março 2009

Apenas recordação…

 

 

 

Apenas recordação... #01

 

 

 

 

Teus olhos fixos nos meus

se me revelaram um dia

e então compreendi a longa espera.

 

Nada se perdia,

nada acontecia ao acaso.

Do frenesim nas marés jurei que

poderíamos caminhar juntos nos dias

da espuma das ondas.

Tudo se passava na exacta medida

de um brilhante azul de olhos.

 

Depressa

- não mais do que o necessariamente maldito -

chegámos aos limites do cansaço exasperado,

sem mais estrada para percorrer.

Um passo mais… e era o abismo a suster-nos,

lá em baixo.

 

Chegados aos confins do nosso tempo,

perdida,

a nossa espera emudeceu,

a esperança sucumbiu em

 - já inertes -

nossas mãos.

 

Mas tudo isso aconteceu há longos anos

- que hoje o vento sopra mais leve…

Nada mais que não seja

apenas recordação…

 

 

 

 

Apenas recordação... #02

 

 

 

 

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1 comentário:

Arabica disse...

Memórias das subteis claridades que nos ficam, como imagens.

Fiquei contente com a tua visita, com as tuas palavras, obrigada.

Quanto às "pequenas doses" enquadram-se na perspectiva do café: tal como ele, também as palavras necessitam das doses certas.

O equilibrio é fundamental na vivência da serenidade; os ventos densos, os silêncios e os largos horizontes, querem-se em sintonia com a mesma quantidade de ventos leves, de palavras e sitios que nos abriguem, sem todavia nos aprisionar.

Daí nascerm as pequenas doses.

A idade é também, uma sábia mestra na mistura de condimentos.

Um beijo e bom fim de semana!