13 dezembro 2009

Crepitar de Corpos e Estrelas Talvez…





Crepitar de corpos e estrelas talvez... [JMB]






I

Se meu corpo fosse um barco
dir-se-ia do teu um rochedo
onde cedo ou tarde
acabaria por encalhar

em teus olhos me perco
baloiçando num vento que passa
no vento que passa
baloiço perdido na manhã da promessa
 



II

crescem ondulados
em teus cabelos pequenos cachos
como fontes
ora secam ora escorrem

tuas nádegas são
como o vento que passa
traz em si odores de incenso queimado
em noites de mágica cumplicidade
 



III

é por estes dias em  que o verão amarelece
as fontes em que ambos nos saciamos
estremecem de redondas ancas
e seios amadurecendo
intumescidos desejos
nascem do crepitar das estrelas
 



IV

façamos uma fogueira
em que se queime
o tempo
e o espaço
que nos cerca
e nos tem…  




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06 dezembro 2009

anDanças de Paixão




anDanças de Paixão (A Mão) [JMB] (2)




É entre a brisa e o anoitecer
da morna carícia em nossos corpos, suaves toques de seda
em final de tarde
crepúsculo encantado na magia de um deserto penetrando a noite.
Da música sincopada
- expressão gnawa em todo o mistério que antecede o prazer -
aromas de sedução exalados
dos frutos tropicais espalhados pelo tapete berbere.
Das lamparinas emergentes de escuridão
reflectidas em teus olhos brilhando
perdidos na transparência do meu corpo sob véus…



Solto o cabelo
em ondulantes movimentos de volúpia aproximando-me
de estendidas mãos
como quem dizendo silenciosa:
Vem, vem comigo inventar esta dança…!



Que não sei esta dança tu sabes
que a sei inventar tu acreditas
nas noites e nos dias e nas brumas e nos dedos…
Rasgando os véus
sob os quais te insurges altiva e branca
longe dos conturbados dias que já não os meus
nos socalcos mágicos de te entrever o corpo
intercalando entre o medo e a paixão.
Da serena inquietude dos seios e das tâmaras
e a imponente vontade de te querer
aqui estou despojado
numa absoluta prontidão
remanescente da urgência de um desejo.



Da dança em que juntos envolvidos
despidos dos trajes em tapetes cansados de esperar
oiço o crepitar do teu corpo de ânsias soerguido.
Apenas no momento de te refazer mulher
num arredondamento de corpo
em que te aconchego as palavras todas
- as ditas, as não-ditas… até as malditas -
e te circundo e te possuo e me aninho
por entre algumas delas num sussurro de mar
de uma enchente de maré até
que a espuma venha beber em nossos pés…



Dança marítima porque ondulante em que me refaço contra ti
para depois de me afastar
- apenas o tempo necessário –
retornar vigoroso sentindo no cheiro do teu
a plenitude do meu
num desmaio de corpo saciado que espera ainda
o dissolver da tua boca dentro da minha…



Vem-te comigo dramática nesta dança de eros
refazer passados vingados no presente
a eternidade que se afigura imediata…!
Vem-te comigo, meu amor
- porque não há longe nem distancia que nos contenha -
de um mundo atávico
cavalgar os sonhos na prontidão de serem habitados
numa insuspeita nudez
de corpos translúcidos
de almas tranquilas
de vida ainda…



Deixando cair a noite
assim permanecemos sem definições
enlaçados de plenitude que se quer infinita…



©2009 Nefertiti & Erg Chebbi



Publicado originalmente em Dezembro 2009 nos blogues Windows Live Spaces
Rascunhos & Sentimentos                            Nefertiti                            Erg Chebbi



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02 dezembro 2009

O Olhar Solitário (Leniz Molkenthin)








O OLHAR SOLITÁRIO

por Leniz da Graça Oliveira Molkenthin






O OLHAR SOLITÁRIO FOTOGRAFA O SILÊNCIO...

A GOTA DE ÁGUA CAINDO DA FOLHA...

A NÉVOA SUBINDO PELA ESCADARIA DE UMA LINDA CASA ANTIGA E

ENVOLVENDO A TORRE DA IGREJA.






A BELA FLOR LILÁS E SOLITÁRIA EM MEIO ÀS PEDRAS

A ÁRVORE SEM FOLHAS, SOBERBA, CONCORRENDO COM O ANOITECER...

TANTAS BELEZAS QUE NOS PASSAM DESPERCEBIDAS

QUANDO ESTÃO ASSIM... OFERTADAS A VONTADE PARA O OLHAR COMUM






MAS QUE QUANDO SÃO CAPTADAS PELO OLHAR SENSÍVEL DE UM ARTISTA...

CONSEGUEM NOS MOSTRAR AQUILO QUE ESTÁ SUBJACENTE...

NA NOSSA ALMA...

E PODEM NOS SURPREENDER DE MANEIRA DEFINITIVA.






SIM... UM OLHAR SOLITÁRIO... QUE SE DESNUDA,

SE MOSTRA POR INTEIRO

... REPLETO DE SENSIBILIDADE

DE CARINHO E DE AMOR!!!






Obrigado Leniz pelo seu encanto porque quem abraça aproveita e beija…




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26 novembro 2009

Verdes de espera…





Verdes de espera [JMB]




Revejo à partida de todas as                     manhãs
teus olhos castanhos ou                     verdes
de mar                     ou terra
navegado ou                     percorrida
Teus olhos verdes de                     espera
tão verdes                     que nem sei
como dois lagos                     ou fontes
ou oceanos                     dois
navegantes nus                     os meus
da fronte pesada e líquida                     suspensos
se abrem de incógnitos marinheiros                     ciosos
que te penetram                     derivando
navegando                     nas ondas
de espuma                     do teu sorriso


Olhos nus
- como deuses -
verdes
Teus olhos verdes
como dois oceanos pendentes da fonte
não tive tempo de os perder
(Entraste em mim
ébria de desejo e ternura)


Húmidos de sorriso e noite
foram meu cárcere primeiro
Não esperaste o sim
da serena inquietude
na longa noite em que ambos nus
deitámos à beira da paixão feita


mãos
e beijos
muitos





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21 novembro 2009

Beijo… o tal, tal e qual aquele…!




O Beijo... o tal, tal e qual aquele...!  [JMB]




Não me deixo adormecer sem antes te dizer
do  indizível encantamento sulcado  pela deusa!
Como te consigo sentir assim tão próxima
Tão dentro tão forte tão em mim…?


Estado de graça como se tuas mãos poisassem
indeléveis em minha face estriada pelo tempo e gasta
teus beijos prolongassem percursos do meu corpo solenes.
Da água dos teus olhos amor faíscas chapinhadas e


estou a ver-te…  e a sentir-te
tão profundamente como se te abraçando
te beijasse nos cabelos e te segredasse
o que adivinhado tu já sabes


o que não te escondo...
Adicionando à profunda admiração
a inusitada e partilhada paixão.
Completamente inesperada


com que deliciosamente me atordoas e
de inverosimilhança me aprisionas decidida.
Quero sonhar contigo meu amor quero e
dentro desse sonho o beijo da noite densa


do corpo e da alma em que os desejos crescem
alheados de fúteis as considerações
em  pensamentos ressequidos
da insensata reprovação


num preconceito que não nosso.
Para longe as vozes que monocórdicas
jamais atinarão em acertar amarras
nos corações de almas comungadas.


Quero amar-te nesta noite como se fosse a primeira
ou a última ou a do meio sem nunca ter sido
enchendo-te do meu corpo na saliva dos dias
da imensa ternura e coroar-te do meu ensejo...


Sentirás na voz trémula pássaros esvoaçando
saídos da minha boca talvez
em beijos metamorfoseados
ou em segredos por dizer...


Assim é... assim será!
Paixão imensa... numa noite tranquila
de um intenso beijo apetecido
tão sensual quanto tu o desejas...


Eternamente teu!



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