11 outubro 2008

Transe




Deixo-me ficar neste tempo neste lugar onde
Das areias e do mar simbióticos com os azuis do céu
Apetece-me aqui eternamente permanecer
(eterno… talvez um tempo longo demais)
Onde o vislumbre dos teus olhos
Neste equidistante estado de graça
De alma pouco apoquentada
O amor mudo da cor das dunas
O odor apenas do desejo irrompido
E translúcido das marés
Amar-te apressadamente desta longitude no entanto
Paciente de longa espera.


Fortuito e aplanado impasse
Quimera atingindo-me no auge
No âmago do sentir
Como sentinela abstraída de sua guarita
Olhando num futuro próximo de impaciente devir
Amar assim no cheiro das coisas e de teus cabelos
Feitos trança
De pescoço esguio assente nos ombros
No encaixe de teus seios imaginários
Em minhas mãos…


Segurando-te o desejo exasperado nos meus lábios
Mornos na ingenuidade de tuas ancas
Vislumbrando a noite dos grilos e das relas que se calam.


Pelas tuas coxas passando os barcos sem destino
Da vulva fugidia a inocência de uma dança sem fim
Nesta praia ainda deserta
Num fogo por nós ateado imenso a nossos pés.


Dancemos este hino até ao raiar do dia claro
Desta madrugada do ser do sentir do existir…
… cansado de te querer!







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