23 outubro 2008

O Recreio








Na minha Alma há um balouço
Que está sempre a balouçar –
Balouço à beira dum poço,
Bem difícil de montar…


- E um menino de bibe
Sobre ele sempre a brincar…


Se a corda se parte um dia,
(E já vai estando esgarçada),
Era uma vez a folia:
Morre a criança afogada…


- Cá por mim não mudo a corda
Seria grande estopada…


Se o indez morre, deixá-lo…
Mais vale morrer de bibe
Que de casaca… Deixá-lo
Balouçar-se enquanto vive…


- Mudar a corda era fácil…
Tal ideia nunca tive…



(Mário de Sá-Carneiro in “8 Poemas escolhidos”, Colecção brevíssima portuguesa, Civilização, Porto)




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