02 abril 2008

Terna é a noite...!






Revejo-te na penumbra de uma madrugada
De janela entreaberta… e mal te vejo!


Apenas te pressinto no calor de um afecto
Feito desejo acocorado


Junto ao teu corpo chegam pássaros
Poisando em teus ombros


Do cabelo emaranhado
O cheiro de um segredo tranquilo
Que se desfazendo em carícias
Todavia
Insuficientes


Mostro-te como é lindo o amanhecer


Revejo-te assim quieta
Como uma lua serenamente despontada
Enquanto meu corpo
De sobressalto
Se debruça sobre o teu
Quase adormecido


Meu desejo
Apenas
Será teu


Quero que esta noite tranquila se desfaça de névoa
Nos teus seios que ternamente
Me ofereces


Percorro-te suave… suavemente
Num crescente de emoção contida
Consentida


Através da tua pele macia
Respiro
E me desfaço em mil bocadinhos de prazer inusitado


Quero-te assim quieta e
Nua
De alma
E corpo
Avassalador e poderoso
Em que me reencontro
Na agonia dum pranto imenso


Intenso
Desço por ti
No calor da tua espera


Eterna é a noite…


Da tua boca soltam-se rouxinóis
Do colo que me seduz
Avidez crescente


Mordo-te entre a língua e um novo desejo


Deste meu pobre corpo adormecido
Navegam barcos
Em suspiros de mais outra noite…


Eterna é a noite


Em que me debruçando sobre ti
Nessa quietude


Chamo-te silêncio
E tu vens…
(Vens…?)


Adoro tua voz sussurrada em meu peito
Desfeito
Teu desejo feito expressão
Em que me embalo
E embarco
Numa onda crescente


E terna é a noite…!



Page copy protected against web site content infringement by Copyscape


Sem comentários: