01 agosto 2008

Arte Xávega em Esmoriz. Passado... Presente!

O termo xávega deriva do árabe xabaka, que significa rede. O termo xávega é usado tanto para definir rede para pesca de arrasto como o próprio barco (de fundo chato) que transporta a rede para o lanço. Pescar não é uma arte. Pescar serve-se de artes. A denominação de Artes de Xávega é, por isso, usada para se referir ao ofício da pesca de cerco de arrasto para terra, tradicional. http://www.praia-de-mira.com

A Arte Xávega é um tipo de pesca que se encontra em vias de extinção. Actualmente, na costa portuguesa, são muito poucas as pessoas que se dedicam a esta faina. É um tipo de pesca de arrasto, só que, com a diferença que o barco sai de terra deixando já uma corda que está sempre ligada a este, dando a volta a mais de 500 metros de distância da costa, deixa a rede que, depois, é arrastada até à praia, puxada por bois, auxiliados por tractores, trazendo o peixe que, pelo caminho, encontra.

Há quem diga que as enxávegas, que apareceram no Algarve no século XV, seriam aparelhos diferentes do século XVIII. Mas os Castelhanos aparecem no Algarve com as enxávegas no século XV e voltam a aparecer com as xávegas no século XVIII, e, durante esse período, não temos conhecimento de que tenha havido grandes alterações nesse tipo de redes em Espanha. Em 1514 o governador do reino de Mallorca proíbe a "xabega" num troço da costa da ilha. Pode ter havido inovações importantes nestes aparelhos ao longo dos séculos, mas os documentos que conhecemos não falam disso, e parecem indicar uma linha de continuidade. Em Espanha chegam a trabalhar 450 barcos de xávega e chinchorro. Em princípios do século XX pesca-se com estas artes em quase todas as costas, mas só na Galiza é que se chega a puxar as redes com bois, como na vizinha costa de Ovar.

No sul de Espanha usam-se barcos relativamente estreitos e rasteiros, como no Algarve, embora os desenhos variem muito. Em Málaga, por exemplo, têm um esporão à proa com cabeça de serpente, que faz lembrar os barcos fenícios. Os homens colocam a rede no barco. Este é um processo que tem que ser muito cuidadoso visto que, depois , já no mar, a rede tem que ser lançada sem se enrodilhar e de forma a que toda ela se abra. Depois de preparado, o barco entra no mar com a ajuda de bois que o puxam até estar na água. Uma ponta da corda que irá puxar a rede fica sempre presa em terra. Com a ajuda de uma "estaca", alguns homens empurram o barco para que as ondas não o arrastem para terra. Depois que o barco se encontra sobre o controlo dos remos , ou motor , aí sim, a "estaca" é retirada e o barco vai a caminho de mais um lanço. De regresso , já com a rede na água, o barco fez o lanço e traz consigo a outra ponta da corda que irá, em conjunto com a primeira, trazer a rede até terra, com a ajuda de tractores preparados para o efeito e, ainda, com alguns bois como se fazia há alguns anos atrás. Agora só se espera que se tenha um "bom lanço".





Arte grande ou Arte Xávega é a forma tradicional de pesca de arrasto, para a apanha da sardinha, em que um grupo de pescadores, organizado em companha, num barco a remos, lança as redes a grande distância, para cercar os cardumes, puxando-as no fim do lanço para a praia, à força de braços ou com a ajuda de bois.
Chegado ao areal, o pescado é separado e colocado em rapichéis, sendo a sardinha comprada aos milhares "macolas" e levada pelas vareiras que a apregoam e vendem pelas ruas.

Para a Xávega há duas épocas: a do defeso - de Novembro a Março, altura em que os homens ficam em terra a preparar as suas redes e se dedicam a outras actividades; a da safra - de Abril a Outubro, quando os homens vão ao mar e se dedicam à Xávega e à Mugiganga. As companhas eram sociedades de pescadores que se dedicavam a todas as actividades dentro e fora do mar. Por isso, a companha tinha um palheiro, dois barcos de mar, algumas bateiras e os aparelhos e utensílios da arte. Na companha os homens dividiam-se em classes: os sócios - patrões que financiavam a safra e tinham direito a metade do produto do lanço; os homens de mar - que tinham realizado o lanço e recebiam o maior quinhão de peixe; os homens de terra - que realizavam as tarefas de apoio em terra e recebiam um quinhão menor. As mulheres organizavam a vida da família e ajudavam na salga e na venda do peixe, e, por vezes, no concerto das redes. Recebiam apenas uma pequena percentagem do lanço, e as crianças tinham direito a uma caldeirada. A refeição dos pescadores não tinha horário e era constituída por broa de milho, caldo, sardinha e vinho. A pesca antigamente era muito artesanal. Os barcos não tinham motor, eram a remos. Eram ajudados por bois para puxarem as redes para a praia. O peixe, muitas vezes, era vendido na própria praia, ou, então, pelas vareiras que andavam com as canastras à cabeça. Também era vendido nas lotas e nos mercados.

Hoje a pesca está mudada. Os barcos têm motor e levam menos homens. As redes são puxadas por tractores.Actualmente ainda podemos observar a arte xávega em Espinho (e Esmoriz). A rede é lançada ao mar. Assim que o barco chega à costa as vareiras põem os rolos de madeira debaixo do barco, para deslizar. Depois disso, os tractores puxam as cordas. Para a rede chegar direita, os pescadores põem uns paus por baixo.O pescador corta a costura para o peixe sair. Os pescadores separam o peixe miúdo do fino. As pessoas escolhem o mexoalho para levarem para casa. Os pescadores põem o peixe em cabazes para depois ser vendido.

(Extracto de “A Arte Xávega em Espinho”. Trabalho realizado por alunos da Escola EB1 Nº 1 de Espinho)

















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