06 agosto 2008

Tinariwen - A música dos nómadas do deserto do Mali





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A propósito de mais uma apresentação em Portugal, amanhã 7 de Agosto, no Festival Sudoeste '08, em Zambujeira do Mar, recordo a viagem que efectuei no dia 6 de Julho de 2007 para assistir a um concerto memorável dos Tinariwen, em Évora.

Inesperadamente, peguei na tenda de campismo, fiz as malas, pus a moto a trabalhar... e parti!
Uma parte de mim ainda paira por lá...!

As minhas expectativas foram plenamente satisfeitas, pois a banda fez da sua apresentação uma prestação invulgar e original. A música - essa já minha conhecida dos seus discos - ganhava uma outra dimensão enquanto executada ao vivo.
Foi como entrar num estado hipnótico, absorvendo aqueles sons - arrepiantes, por vezes, como que gemidos - por todos os poros da pele... Blues executados de forma ímpar e contundente, deixando-me completamente arrasado por dentro, enquanto que o corpo estremecia, inadvertidamente, vibrando electrizado.

Para quem sente o apelo dos blues e sente o fascínio pela imagética tuaregue, por certo, um espectáculo a não perder no Sudoeste Alentejano! 


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Composto por ex-rebeldes tuaregues, que chegaram a Tombuctu no final da rebelião, no início dos anos 90, de guitarra eléctrica e Kalachnikov, este grupo serve-se da sua música e poesia para expor as insatisfações em função do desrespeito da sociedade moderna através de canções originais com arranjos de guitarra actuais.
Vencedores do galardão de melhor formação world music, do continente africano pela Rádio BBC em 2005, os Tinariwen marcaram presença no Africa Live, festival da ONU destinado ao combate ao paludismo, que decorreu no Senegal no ano passado.

Particularmente ligados ao exílio do povo tuaregue e aos nómadas berberes do deserto do Sahara, os Tinariwen apelam à consciencialização política para problemas como o exílio, a repressão no Mali ou a extradição de pessoas da Argélia.
Partindo da tradição tuaregue, os Tinariwen deixam-se influenciar por Bob Marley ou Bob Dylan, assim como pelos rebeldes marroquinos da nova vaga, Nass El Ghiwane. Composto por cerca de 10 elementos, os melhores e mais famosos compositores e intérpretes da comunidade tuaregue da actualidade, os Tinariwen cantam o exílio e a oposição.
Depois de terem marcado presença no Rosskilde Festival e no Womad Rivermead Festival, o grupo do Mali traz-nos o registo que já foi considerado uma obra-de-arte e que, desde a sua edição em 2004, ainda não saiu do top musical europeu.

Recorde-se que os Tinariwen se destacaram internacionalmente quando ajudaram a organizar o Festival do Deserto, um evento anual que leva ao Norte de África fãs e celebridades de todo o Mundo, e que dá especial atenção ao povo tuaregue e, consequentemente, aos seus embaixadores musicais, os Tinariwen.
Composto por canções vivas, com coros profundos e verdadeiros, Amassakoul apresenta-se mais cuidado e polido que o anterior e registo de estreia The Radio Tisdas Sessions. Conhecidos como o primeiro grupo a fundir a música tradicional Tuaregue com guitarras eléctricas, em 1979, os Tinariwen continuam a ser liderados por Ibrahim Ag Alhabib, membro original da formação, detentor de uma voz distinta um estilo de tocar guitarra único.




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E se há banda que reflecte na perfeição o espírito SW, essa banda é, sem sombra de dúvidas, os Tinariwen.
Os Tinariwen têm uma das histórias mais improváveis da história da música e para contar a sua história é necessário contar um pouco da História do seu povo, os Tuaregues.

Durante milénios, os Tuaregues habitaram o deserto do Sahara mas quando, na década de 60, foram criados os estados do Mali, Nigéria, Mauritânia e República do Tchad um problema de nacionalidade se levantou a este povo transnacional. Assim, rebelaram-se contra os governos que não respeitaram a sua natureza.
E é neste contexto de guerrilha que os Tinariwen nascem. Na década de 80, durante um treino militar num campo de refugiados, este grupo peculiar trava conhecimento com a música ocidental.
Inspirados em nomes como Bob Marley e Bob Dylan, resolveram largar as armas e utilizar guitarras eléctricas para contar a história do seu povo e denunciar os abusos que sofrem.

Em 2000, gravam o primeiro registo The Radio Tisdas Sessions - quatro anos após o cessar fogo entre o governo do Mali e os Tuaregues - e tornam-se num estrondoso sucesso mundial. Com o segundo registo, Amassakoul, ganham o prémio de World Music da BBC. Já em 2007 lançam o seu mais concentrado trabalho Aman Iman: Water is Life.

Lamentos. É assim que podemos caracterizar a música deste colectivo ímpar.
Lamentos e solos de guitarra/pedal wah-wah dos anos 1960, comandando batidas de tambor africanas e palmas em ritmos arábicos entremeadas com letras que navegam no rio épico da vida dos Tuaregues actuais.

Esta é uma oportunidade única para conferir ao vivo um dos mais interessantes grupos de World Music, os sons do deserto na planície alentejana.

 


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