21 dezembro 2008

Sabor amargo

Sabor amargo

Sabor amargo

Travo do sentir

Desalento e desamor

Desânimo de prosseguir

Nesta estrada.

Não sei por onde vou

Não sei para onde

Vou

e talvez não volte!

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24 novembro 2008

Deti-me!

 

Deti-me!

 

Olhei teus braços

Demoradamente

Subi as tuas pernas

Até às coxas

Deti-me

(será lícito ainda?)

Recordei sonhei gozei

Tempo inútil

Momento falhado

Dia frustrado

Hoje naveguei em teu corpo

E em teu corpo parti

 

 

Procurei-me em ti…

E nada encontrei!

 

 

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15 novembro 2008

Esta chuva que cai…

 

 

Esta chuva que cai

 

 

Pingos de chuva caem húmidos

Arremessados pelo vento

Salpicam as soleiras e entram em mim.

E gelam meu corpo todo!

 

 

Pingos de chuva que em meus olhos brincam

- Quem vos mandou?

Chuva miúda não se cansa de cantar.

Nos vidros das janelas e em mim!

 

 

Estou navegando à sombra desta chuva

Finíssima e imensa.

- E tu, não vens comigo?

 

 

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14 novembro 2008

Partida

Partida #1

Oiço o comboio ao longe feito de freios

Gemendo

Aqui

Com a morte na alma estremecem os carris

De dor

Chegou

Saem todos

Apenas resta um…

Soa estridente o apito do chefe da estação

Estremece de novo

fazendo chiar os carris

E partiu

De pranto.

Partida #2

O Passageiro do Desconhecido

Ei-lo de viagem

No comboio

Já não o oiço

Nem aos travões

Os carris deixaram de estremecer

Solitário

Partiu

De dor

Para sempre…

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03 novembro 2008

Abraço

CorpusNeon#002 Abraço

Adoro tua sedução

Tua paixão em mim

Dá-me teus beijos…

Os meus percorrer-te-ão o corpo de mar, de boca salgada

De esperas…!

Nas pontas de meus dedos, cada segundo…

Uma eternidade…!

Ofereço-me de lábios entreabertos e

Húmidos num beijo

Matinal de sabor marítimo

De contida paixão…!

Beijo-te longo o corpo

Adivinhado onde me detenho

Sinto-me bem nesse sensual abraço …

De inesperada invulgaridade… e tão bonito

Sucumbido em teus olhos

Deixa que te abrace assim…!

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02 novembro 2008

Inexistente noite branda





Se ao entrar em tua casa
fechadas as portas
pendurada nos meus beijos
todo o mundo lá fora deixasse de existir…


Apenas a chuva na vidraça
Intermitente
e a nossa paixão
incólume…


Apenas os corpos apetecidos
levemente vislumbrados…


Húmidos de suor e de querer
envoltos num mundo inexistente assim
te amo ao cair
da noite branda…!



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27 outubro 2008

Quem?... Só tu!





“Quem?”



Só tu estarás quando eu estiver só à lareira


Só tu me beijarás os olhos como agora o fazes


Só tu sentirás a poesia,


Da melodia que será nossa vida inteira


Só tua carne eu sentirei na minha


Só teu corpo apertarei, forte, no meu


Só contigo eu esperarei que apareça a lua


Só a ti oferecerei todo o meu dia


Só tu meterás teu braço no meu braço


Só tu me farás as meiguices que agora fazes


Só tu, meu amor, me darás os beijos que agora já são meus




Oh Deus, que alegria, só tu na minha vida


E a felicidade infinita


De seres para mim aquilo que hoje já és…




(Inspirado num poema de autor incógnito)


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25 outubro 2008

Azul indigo

Há uma estranha melancolia depois de me abeirar deste mar...
Aqui onde a solidão por vezes se torna pesada
Todos os pensamentos - a todo o instante - correm velozes naquela direcção…
Se algo perdi ou se ainda nada ganhei
De ti apenas sei o nome
O rosto vedado
E corpo incerto
E a saudade - essa imensa tortura – do que há-de vir
De te vêr sem nunca ter poisado os olhos nos teus
Sem nunca ter tocado tua mão e dizer-te…
Nem me ter deitado…

… envoltos num qualquer lençol de linho azul indigo...
Acorda bem, meu amor poético…





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23 outubro 2008

O Recreio








Na minha Alma há um balouço
Que está sempre a balouçar –
Balouço à beira dum poço,
Bem difícil de montar…


- E um menino de bibe
Sobre ele sempre a brincar…


Se a corda se parte um dia,
(E já vai estando esgarçada),
Era uma vez a folia:
Morre a criança afogada…


- Cá por mim não mudo a corda
Seria grande estopada…


Se o indez morre, deixá-lo…
Mais vale morrer de bibe
Que de casaca… Deixá-lo
Balouçar-se enquanto vive…


- Mudar a corda era fácil…
Tal ideia nunca tive…



(Mário de Sá-Carneiro in “8 Poemas escolhidos”, Colecção brevíssima portuguesa, Civilização, Porto)




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15 outubro 2008

Silêncio urgente

As ditas malditas palavras mal ditas

Malditas ditas palavras mal ditas

Mal ditas palavras ditas malditas

Malditas palavras ditas ditas malditas

Ditas as palavras

Palavras malditas

Mal ditas as palavras


Palavras

Ditas

As mal ditas

Malditas

Mal ditas

Malditas palavras

As ditas malditas


… urgente o silêncio!



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14 outubro 2008

11 outubro 2008

Transe




Deixo-me ficar neste tempo neste lugar onde
Das areias e do mar simbióticos com os azuis do céu
Apetece-me aqui eternamente permanecer
(eterno… talvez um tempo longo demais)
Onde o vislumbre dos teus olhos
Neste equidistante estado de graça
De alma pouco apoquentada
O amor mudo da cor das dunas
O odor apenas do desejo irrompido
E translúcido das marés
Amar-te apressadamente desta longitude no entanto
Paciente de longa espera.


Fortuito e aplanado impasse
Quimera atingindo-me no auge
No âmago do sentir
Como sentinela abstraída de sua guarita
Olhando num futuro próximo de impaciente devir
Amar assim no cheiro das coisas e de teus cabelos
Feitos trança
De pescoço esguio assente nos ombros
No encaixe de teus seios imaginários
Em minhas mãos…


Segurando-te o desejo exasperado nos meus lábios
Mornos na ingenuidade de tuas ancas
Vislumbrando a noite dos grilos e das relas que se calam.


Pelas tuas coxas passando os barcos sem destino
Da vulva fugidia a inocência de uma dança sem fim
Nesta praia ainda deserta
Num fogo por nós ateado imenso a nossos pés.


Dancemos este hino até ao raiar do dia claro
Desta madrugada do ser do sentir do existir…
… cansado de te querer!







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08 outubro 2008

Um vento...




Um vento, varrendo a praia, me trespassa o corpo
Fazendo gelar meu coração.
Um doce marulhar, tranquilo, me desperta os sentidos.
Olho, cheiro, oiço e sinto…
Sinto-o bem perto de mim, no fundo do meu espírito.
E fica a nostalgia…




Oh…
Desejo ardente de ser fogo, queimando!
O sentir tua respiração leve e calma no meu rosto
Tuas mãos percorrendo meu corpo, ansiosas
E tua boca mordendo
Sorrindo…
Teus dedos brincando
Teu olhar sereno e límpido no meu
Penetrando…
De um sopro só por despir esse corpo maravilhoso eu morro!




Ah… esse calor de mulher, escaldando…!
Mordê-lo… rasgá-lo…
Num frenesim danado…
Como cão lambendo a ferida assim serei eu
Beijando esse jovem corpo de neve.
E o prazer desse seu cheiro doce e feminino eu quero
Bem fundo…
Dessa tua boca quero sentir correr como de uma fonte fresca
Esse suco delicioso que só tu possuis!




E um só desejo me assalta, traiçoeiro…
Num só gesto possuir teu corpo contra o meu
Apertando…
E docemente esperar…
Esperar…
A Primavera em flor sentindo-a chegar
E o gozar desses dois seres vagabundos nesta loucura de ser fogo
Ser água
De ser sol, ser lua
De ser vento, ser chuva.



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Dia claro


Penso no dia claro

Em que o sol brilhava

Das lágrimas tardias de Outono

Os sorrisos quentes

De uma noite de Verão




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02 outubro 2008

De cal e mar...





Brindemos aos nossos amores
Feitos de cal e mar
E lua plena.


Que nossos olhos oceânicos brinquem
No indomado horizonte
Em que as falas e os silêncios
Pendurados
Tranquilos floresçam fartos.


De ti
Apenas as juvenis quimeras
Insensatas
Cansadas de esperar...

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30 setembro 2008

Deste Azul




Deste azul a serenidade


Deste mar o desejo


Neste beijo


O teu acordar tranquilo


Te traga até mim…


São meus passos que ouves


Ao longe nesta distância


Que nos une de mansinho


Para que te não acorde


Desse sonho apenas


Te vislumbro na penumbra


O seio e o olhar…


Apenas te desejo assim tranquila e


Desnuda desse lençol…


Olhando-me cheia


Como se secretamente


Me aguardasses…



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06 agosto 2008

Tinariwen - A música dos nómadas do deserto do Mali





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A propósito de mais uma apresentação em Portugal, amanhã 7 de Agosto, no Festival Sudoeste '08, em Zambujeira do Mar, recordo a viagem que efectuei no dia 6 de Julho de 2007 para assistir a um concerto memorável dos Tinariwen, em Évora.

Inesperadamente, peguei na tenda de campismo, fiz as malas, pus a moto a trabalhar... e parti!
Uma parte de mim ainda paira por lá...!

As minhas expectativas foram plenamente satisfeitas, pois a banda fez da sua apresentação uma prestação invulgar e original. A música - essa já minha conhecida dos seus discos - ganhava uma outra dimensão enquanto executada ao vivo.
Foi como entrar num estado hipnótico, absorvendo aqueles sons - arrepiantes, por vezes, como que gemidos - por todos os poros da pele... Blues executados de forma ímpar e contundente, deixando-me completamente arrasado por dentro, enquanto que o corpo estremecia, inadvertidamente, vibrando electrizado.

Para quem sente o apelo dos blues e sente o fascínio pela imagética tuaregue, por certo, um espectáculo a não perder no Sudoeste Alentejano! 


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Composto por ex-rebeldes tuaregues, que chegaram a Tombuctu no final da rebelião, no início dos anos 90, de guitarra eléctrica e Kalachnikov, este grupo serve-se da sua música e poesia para expor as insatisfações em função do desrespeito da sociedade moderna através de canções originais com arranjos de guitarra actuais.
Vencedores do galardão de melhor formação world music, do continente africano pela Rádio BBC em 2005, os Tinariwen marcaram presença no Africa Live, festival da ONU destinado ao combate ao paludismo, que decorreu no Senegal no ano passado.

Particularmente ligados ao exílio do povo tuaregue e aos nómadas berberes do deserto do Sahara, os Tinariwen apelam à consciencialização política para problemas como o exílio, a repressão no Mali ou a extradição de pessoas da Argélia.
Partindo da tradição tuaregue, os Tinariwen deixam-se influenciar por Bob Marley ou Bob Dylan, assim como pelos rebeldes marroquinos da nova vaga, Nass El Ghiwane. Composto por cerca de 10 elementos, os melhores e mais famosos compositores e intérpretes da comunidade tuaregue da actualidade, os Tinariwen cantam o exílio e a oposição.
Depois de terem marcado presença no Rosskilde Festival e no Womad Rivermead Festival, o grupo do Mali traz-nos o registo que já foi considerado uma obra-de-arte e que, desde a sua edição em 2004, ainda não saiu do top musical europeu.

Recorde-se que os Tinariwen se destacaram internacionalmente quando ajudaram a organizar o Festival do Deserto, um evento anual que leva ao Norte de África fãs e celebridades de todo o Mundo, e que dá especial atenção ao povo tuaregue e, consequentemente, aos seus embaixadores musicais, os Tinariwen.
Composto por canções vivas, com coros profundos e verdadeiros, Amassakoul apresenta-se mais cuidado e polido que o anterior e registo de estreia The Radio Tisdas Sessions. Conhecidos como o primeiro grupo a fundir a música tradicional Tuaregue com guitarras eléctricas, em 1979, os Tinariwen continuam a ser liderados por Ibrahim Ag Alhabib, membro original da formação, detentor de uma voz distinta um estilo de tocar guitarra único.




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E se há banda que reflecte na perfeição o espírito SW, essa banda é, sem sombra de dúvidas, os Tinariwen.
Os Tinariwen têm uma das histórias mais improváveis da história da música e para contar a sua história é necessário contar um pouco da História do seu povo, os Tuaregues.

Durante milénios, os Tuaregues habitaram o deserto do Sahara mas quando, na década de 60, foram criados os estados do Mali, Nigéria, Mauritânia e República do Tchad um problema de nacionalidade se levantou a este povo transnacional. Assim, rebelaram-se contra os governos que não respeitaram a sua natureza.
E é neste contexto de guerrilha que os Tinariwen nascem. Na década de 80, durante um treino militar num campo de refugiados, este grupo peculiar trava conhecimento com a música ocidental.
Inspirados em nomes como Bob Marley e Bob Dylan, resolveram largar as armas e utilizar guitarras eléctricas para contar a história do seu povo e denunciar os abusos que sofrem.

Em 2000, gravam o primeiro registo The Radio Tisdas Sessions - quatro anos após o cessar fogo entre o governo do Mali e os Tuaregues - e tornam-se num estrondoso sucesso mundial. Com o segundo registo, Amassakoul, ganham o prémio de World Music da BBC. Já em 2007 lançam o seu mais concentrado trabalho Aman Iman: Water is Life.

Lamentos. É assim que podemos caracterizar a música deste colectivo ímpar.
Lamentos e solos de guitarra/pedal wah-wah dos anos 1960, comandando batidas de tambor africanas e palmas em ritmos arábicos entremeadas com letras que navegam no rio épico da vida dos Tuaregues actuais.

Esta é uma oportunidade única para conferir ao vivo um dos mais interessantes grupos de World Music, os sons do deserto na planície alentejana.

 


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01 agosto 2008

Arte Xávega em Esmoriz. Passado... Presente!

O termo xávega deriva do árabe xabaka, que significa rede. O termo xávega é usado tanto para definir rede para pesca de arrasto como o próprio barco (de fundo chato) que transporta a rede para o lanço. Pescar não é uma arte. Pescar serve-se de artes. A denominação de Artes de Xávega é, por isso, usada para se referir ao ofício da pesca de cerco de arrasto para terra, tradicional. http://www.praia-de-mira.com

A Arte Xávega é um tipo de pesca que se encontra em vias de extinção. Actualmente, na costa portuguesa, são muito poucas as pessoas que se dedicam a esta faina. É um tipo de pesca de arrasto, só que, com a diferença que o barco sai de terra deixando já uma corda que está sempre ligada a este, dando a volta a mais de 500 metros de distância da costa, deixa a rede que, depois, é arrastada até à praia, puxada por bois, auxiliados por tractores, trazendo o peixe que, pelo caminho, encontra.

Há quem diga que as enxávegas, que apareceram no Algarve no século XV, seriam aparelhos diferentes do século XVIII. Mas os Castelhanos aparecem no Algarve com as enxávegas no século XV e voltam a aparecer com as xávegas no século XVIII, e, durante esse período, não temos conhecimento de que tenha havido grandes alterações nesse tipo de redes em Espanha. Em 1514 o governador do reino de Mallorca proíbe a "xabega" num troço da costa da ilha. Pode ter havido inovações importantes nestes aparelhos ao longo dos séculos, mas os documentos que conhecemos não falam disso, e parecem indicar uma linha de continuidade. Em Espanha chegam a trabalhar 450 barcos de xávega e chinchorro. Em princípios do século XX pesca-se com estas artes em quase todas as costas, mas só na Galiza é que se chega a puxar as redes com bois, como na vizinha costa de Ovar.

No sul de Espanha usam-se barcos relativamente estreitos e rasteiros, como no Algarve, embora os desenhos variem muito. Em Málaga, por exemplo, têm um esporão à proa com cabeça de serpente, que faz lembrar os barcos fenícios. Os homens colocam a rede no barco. Este é um processo que tem que ser muito cuidadoso visto que, depois , já no mar, a rede tem que ser lançada sem se enrodilhar e de forma a que toda ela se abra. Depois de preparado, o barco entra no mar com a ajuda de bois que o puxam até estar na água. Uma ponta da corda que irá puxar a rede fica sempre presa em terra. Com a ajuda de uma "estaca", alguns homens empurram o barco para que as ondas não o arrastem para terra. Depois que o barco se encontra sobre o controlo dos remos , ou motor , aí sim, a "estaca" é retirada e o barco vai a caminho de mais um lanço. De regresso , já com a rede na água, o barco fez o lanço e traz consigo a outra ponta da corda que irá, em conjunto com a primeira, trazer a rede até terra, com a ajuda de tractores preparados para o efeito e, ainda, com alguns bois como se fazia há alguns anos atrás. Agora só se espera que se tenha um "bom lanço".





Arte grande ou Arte Xávega é a forma tradicional de pesca de arrasto, para a apanha da sardinha, em que um grupo de pescadores, organizado em companha, num barco a remos, lança as redes a grande distância, para cercar os cardumes, puxando-as no fim do lanço para a praia, à força de braços ou com a ajuda de bois.
Chegado ao areal, o pescado é separado e colocado em rapichéis, sendo a sardinha comprada aos milhares "macolas" e levada pelas vareiras que a apregoam e vendem pelas ruas.

Para a Xávega há duas épocas: a do defeso - de Novembro a Março, altura em que os homens ficam em terra a preparar as suas redes e se dedicam a outras actividades; a da safra - de Abril a Outubro, quando os homens vão ao mar e se dedicam à Xávega e à Mugiganga. As companhas eram sociedades de pescadores que se dedicavam a todas as actividades dentro e fora do mar. Por isso, a companha tinha um palheiro, dois barcos de mar, algumas bateiras e os aparelhos e utensílios da arte. Na companha os homens dividiam-se em classes: os sócios - patrões que financiavam a safra e tinham direito a metade do produto do lanço; os homens de mar - que tinham realizado o lanço e recebiam o maior quinhão de peixe; os homens de terra - que realizavam as tarefas de apoio em terra e recebiam um quinhão menor. As mulheres organizavam a vida da família e ajudavam na salga e na venda do peixe, e, por vezes, no concerto das redes. Recebiam apenas uma pequena percentagem do lanço, e as crianças tinham direito a uma caldeirada. A refeição dos pescadores não tinha horário e era constituída por broa de milho, caldo, sardinha e vinho. A pesca antigamente era muito artesanal. Os barcos não tinham motor, eram a remos. Eram ajudados por bois para puxarem as redes para a praia. O peixe, muitas vezes, era vendido na própria praia, ou, então, pelas vareiras que andavam com as canastras à cabeça. Também era vendido nas lotas e nos mercados.

Hoje a pesca está mudada. Os barcos têm motor e levam menos homens. As redes são puxadas por tractores.Actualmente ainda podemos observar a arte xávega em Espinho (e Esmoriz). A rede é lançada ao mar. Assim que o barco chega à costa as vareiras põem os rolos de madeira debaixo do barco, para deslizar. Depois disso, os tractores puxam as cordas. Para a rede chegar direita, os pescadores põem uns paus por baixo.O pescador corta a costura para o peixe sair. Os pescadores separam o peixe miúdo do fino. As pessoas escolhem o mexoalho para levarem para casa. Os pescadores põem o peixe em cabazes para depois ser vendido.

(Extracto de “A Arte Xávega em Espinho”. Trabalho realizado por alunos da Escola EB1 Nº 1 de Espinho)

















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